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Estudo avalia a taxa de cesarianas no Amparo Maternal

As taxas de cesarianas da instituição têm oscilado entre 20,5% e 22,8% nos últimos 5 anos.

Nas últimas décadas, as taxas cesarianas têm aumentado significativamente em todo o mundo, com índices superiores aos 15% recomendados em 1985 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Dados de 2010 do DATASUS (2011) mostram que a proporção de cesarianas na região Sudeste alcança os maiores índices de 58,26%, seguidas das regiões Sul 58,14%, Centro-Oeste 57,43%, Nordeste com 44,36% e Norte com 41,82%. São taxas quase quatro vezes maiores ao considerado aceitável pela OMS.

Como a taxa preconizada pela OMS não está sendo atingida plenamente em nenhum País, a entidade está revendo este indicador, incluindo dados de maternidades do mundo inteiro, entre elas o Amparo Maternal, que foi a única convidada da América do Sul para participar deste projeto que reavalia a taxa adequada para partos cesáreos. Os dados preliminares já foram apresentados no último congresso mundial da FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia). “Tudo nos leva a aumentar este índice, haja visto não só aspectos clínicos, assistenciais, como também a própria mudança do perfil das gestantes”, avalia o médico Dr. Éder Viana, do Amparo Maternal.

No Amparo Maternal, maior maternidade filantrópica de São Paulo, a realidade é diferente, como retrata tese de mestrado da enfermeira obstétrica Lecy dos Santos Merighe para a Universidade de São Paulo, escola de enfermagem, apresentada em 2013. Dados do Serviço de Arquivo Médico da instituição mostram que as taxas de cesariana dos últimos 5 anos da entidade têm oscilado entre 20,5% e 22,8%, mesmo com os esforços da instituição pela humanização do atendimento, para atendimento multiprofissional com médicos e enfermeiros obstétricos, uso de doulas e instalação de Centro de Parto Normal.

Por se tratar de um serviço oferecido para gestantes de baixo risco, este índice é considerado alto. Para a estudiosa, este indicador está associado não somente aos critérios clínicos, mas também à cultura da cesárea no Brasil. “Cesarianas foram transformadas em objeto de consumo acessível, conforme renda. As indicações devem ser ponderadas e decididas por critérios estritamente clínicos e obstétricos”, critica Lecy.

De acordo com a enfermeira do Amparo Maternal, a cesárea é um procedimento que pode trazer riscos tanto para o recém-nascido como para a gestante. Entre as complicações para os bebês, as mais comuns ocorrem nas gestações interrompidas prematuramente, pois pode haver erro de cálculo de idade gestacional; outro risco importante é o da dificuldade respiratória nos recém-nascidos de cesariana.

Para as mães que acabaram de ganhar bebê, existem os riscos de infecções puerperais, acidentes e complicações anestésicas e embolia pulmonar, além de complicações como infecção do trato urinário, tromboembolias e no caso de cesáreas de repetição, o acretismo placentário, quando a placenta cola na parede do útero e suas consequências, como hemorragias.

Dados do estudo realizado no Amparo Maternal com 485 mulheres que ganharam seus bebês na maternidade em 2011 apontam que 71,6% dos partos realizados são normais e 28,4% cesariana.

Das cesarianas, 44% foram por conta do sofrimento do recém-nascido ou posicionamento inadequado do bebê.

Outros 22,7% foram por questões materno-fetais, entre elas:

– desproporção cefalopélvica (quando o bebê não tem passagem pela bacia da gestante) e

– parada de progressão.

Existe ainda 33,3% que foram feitas apenas por conta da mãe, seja por conta das gestantes já terem tipo cesáreas anteriores, falha na indução, quando o bebê já passa das 41 semanas e despreparo do colo do útero. 

Além disso, o estudo aponta que é possível notar que conforme aumenta a faixa etária, aumenta a proporção de mulheres submetidas à cesariana. Entre mulheres de 10 a 34 anos, 58% tiveram cesárea, enquanto entre mulheres com menos de 20 anos, apenas 15,3% tiveram cesárea.

 

Sobre o Amparo Maternal

Há 74 anos, o Amparo Maternal é uma instituição filantrópica que atua com Saúde e Assistência Social Materno-Infantil, atendendo exclusivamente aos sistemas públicos na cidade de São Paulo. O complexo hospitalar disponibiliza atendimentos de urgência obstétrica, serviços ambulatoriais, internação e Unidade Neonatal, e o Centro de Acolhida assiste às gestantes, mães e bebês em situação de vulnerabilidade e risco social.

Considerado como uma das maiores maternidades da América Latina, o Amparo Maternal conta com cerca de 400 colaboradores e 100 voluntários que contribuem para a realização de cerca de 7 (sete) mil partos anuais, dos quais 80% são normais.

 

 

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