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“Homenagem Póstuma a Narcy de Mello”

Narcy de Melo

“…Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna…” (Jo 3, 16)

 

A história de vida de meu querido irmão está repleta de atos de fé, serviço, doação, amor e generosidade.

Filho primogênito de Agenor de Mello e Maria Dantas de Mello, aqui nasceu em 08/03/1927. Por graça de Deus, chegou a completar 89 anos, quando veio a falecer em 16/03/2016, na cidade de São Paulo.

Deixou sua amada esposa, Salomé, e numerosa família, constituída de sete filhos casados, netos e bisnetos, cinco irmãos, cunhados, sobrinhos, tios e primos, além de centenas de amigos e admiradores.

Sua vida é realmente uma história bonita, construída com trabalho, extrema dedicação, fé eamor, sobretudo à família.

Formado em ciências contábeis, iniciou o exercício profissional em nossa cidade, dando assistência a diversas empresas. Os seus conhecimentos e notória capacidade na área contábil deveriam, mais tarde, convocá-lo a uma missão especial.

Ainda muito jovem (27 anos), em 1954, foi candidato a prefeito de Borda da Mata, não conseguindo se eleger. Mas, quatro anos depois, em 1958, venceu as eleições municipais e tomou posse em janeiro de 1959, tendo como vice nosso saudoso amigo, José de Andrade Cobra, seu sucessor. As dificuldades financeiras da época eram imensas. O minguado Fundo de Participação só chegava ao findar do ano. Assim, o administrador sofria demais para conseguir recursos e honrar os compromissos municipais como salários do funcionalismo, educação, saúde e obras.

Mesmo assim, conseguiu embelezar nossas principais praças com inúmeras árvores, com destaque para as palmeiras gigantes. Deixou a marca do seu governo, com ênfase ao paisagismo e obras importantes nos setores da saúde e educação, sempre prioridades de todo administrador consciente.

Mais tarde, prosseguiu seus estudos. Concluiu, então, com seu particular e saudoso amigo, Wilson Jóia, o Curso de Direito na Faculdade de Bauru/SP. Ambos exerceram a advocacia nesta Comarca e, pouco depois, ingressaram no Ministério Público de Minas Gerais. Meu mano foi nomeado Promotor de Justiça de Bueno Brandão e Wilson para a Comarca de Guia Lopes.

Entretanto, convocado pelo nosso saudoso conterrâneo,Lauro Megale, para assumir a chefia da área contábil da grande “Empresa de Transportes Atlas”, aceitou e partiu para São Paulo. Ali trabalhou incansavelmente cerca de meio século. Mesmo depois de aposentado, permaneceu no cargo, eis que sempre desfrutou da maior estima e confiança de todos os membros da família Megale. A recíproca era verdadeira, pois também Narcy os considerava mais que amigos, irmãos de coração.

Gostaria ainda de focalizar algumas facetas da personalidade marcante de meu inesquecível irmão. Por sua generosidade, todos lhe devemos muitas finezas das quais, agradecidos, jamais esqueceremos.

No campo artístico, encenou com brilho várias peças teatrais em nossa cidade. Sua cultura era versátil, mas destaco sua veiapoética. O querido mano tinha o dom maravilhoso de fazer versos com simplicidade e encanto. Alguns deles, como “Cidades do meu Coração”, publiquei em minhas “Farpas do Coração”.

Além de ser o poeta da família, foi também mestre da declamação.  O melhor e mais completo desta região. Com sua memória prodigiosa e inteligência privilegiada, era uma enciclopédia poética ambulante a recitar versos da melhor qualidade. A cadência da voz, a expressão e o brilho do seu olhar eram perfeitos, ao repassar aos ouvintes os sentimentos. Em nossas festas familiares, o sucesso estava sempre garantido. Não bastassem os seus versos, ainda tínhamos o privilégio de contar com a participação do nosso saudoso primo e cantor, Almir Ribeiro, a voz de veludo do Sul de Minas.

Assim, devemos agradecer a Deus por suas vidas e pela alegria que eles sempre nos repassaram. Foram momentos de céu, de sorrisos fartos, de encontros maravilhosos que somente o amor familiar é capaz de nos proporcionar.

Agora, depois de “ter combatido o bom combate, encerrada a carreira e guardada a fé”, Narcy, com certeza, mereceu ser acolhido na Casa do Pai, pela Misericórdia de Deus, para nela viver eternamente.

Encerro esta homenagem ao inesquecível irmão, trazendo a público, com imenso carinho e saudade, o soneto em que confessa o seu grande amor à amada terra em que nascemos:

 

“MINHA BORDA, MEU AMOR”

 

“Como eu amo, meu Deus,

A cidade onde nasci!

Ela está nos sonhos meus

Quando estou longe daqui.

 

Minha Borda é singela,

Pequenina e, mesmo assim,

Grande é meu amor por ela,

Mal cabe dentro de mim.

 

Longe dela é um tormento!

Perto dela só lamento

Não tê-la sempre comigo.

 

Dela eterno namorado,

Só não cometo o pecado

De esquecê-la. Não consigo!”

 

Borda da Mata, março de 2.016.

Gustavo Dantas de Melo

 

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