“A saudade é o preço que se paga por viver momentos inesquecíveis”, assim diz a sabedoria popular. E não foram poucos os momentos que passei com a inesquecível Tia Babá, como carinhosamente era conhecida Maria Dalva Bertolaccini dos Santos, esposa do Sr. Zezinho Grilo. Ela deixou o convívio terreno em janeiro de 2025, mas seu carisma enorme e coração generoso ainda vivem num grande legado de amor, de resiliência e de amizade. Como eu mesmo postei em minhas redes sociais no dia do falecimento, nunca vou me esquecer do sorriso franco, dos sábios conselhos e do amor imenso que sempre teve por toda a minha família.
Os amigos e leitores que sempre me acompanham devem ter estranhado o fato de eu não ter publicado uma homenagem como essa na época do falecimento e estar fazendo isso somente agora, quase completando o primeiro ano de sua partida para a Glória Celeste. Sabiam que tem um motivo muito especial e significativo. Deixei para fazer essa homenagem agora próximo do Natal pois era uma época que a Tia Babá gostava demais, tinha um sentido todo especial para ela e sua maior alegria era a casa cheia de gente, o clima festivo da ocasião e os presentes que ela gostava de ofertar sem se esquecer de ninguém.
Meu pai, Dito Paraná, trabalhou por muitos anos na empresa da família, a loja Móveis Triunfo, no prédio onde hoje funciona a Comercial Tamoyo, bem ao lado da Basílica de Nossa Senhora do Carmo. Lembro que as crianças esperavam a época do final de ano para ganhar as réguas escolares promocionais da loja. Existia também a Triunfo do Sul, que era a fábrica de móveis, situada na beira da pista, saída para Pouso Alegre, em frente das atuais lojas de Pijamas. Lá quem comandava tudo era o grande amigo Wilson Moraes (Bandeira).
Todos os Natais eram na casa da Tia Babá, em sua aconchegante residência na Rua João Beraldo, bem próximo das praças centrais e da Basílica. Além dos filhos Paulo Henrique e José Amadeu, noras e, posteriormente, os primeiros netos, além de mim, participavam também meu pai, minha mãe, minha irmã, Magali, Mantovani, Bandeira com a esposa Rosangela e os filhos Ana Paula e João Paulo. Quase todos os anos tinha também a adorável presença da saudosa Nice Bertolaccini e família, que vinham lá de Conselheiro Lafaiete. Demais familiares dos Bertolaccini e Santos também sempre estavam presentes.
A alegria da Tia Babá era latente e organizava tudo com o maior carinho. A mesa sempre muito farta, a atenção que dava a todos de maneira uniforme, não deixava de conversar e encantar a cada um que ali estava a celebrar momentos de extrema felicidade e união. E não deixava ninguém sem receber os seus presentes, sempre personalizados, pois ela fazia questão de atender às preferências pessoais de cada presenteado. Para mim, em especial, só de estar em sua casa já era um grande presente. Sempre amei aquele ambiente que era pura arte, com belas telas nas paredes, muitos livros e também a presença imponente do piano.
Que esses meus singelos relatos fiquem registrados como homenagem à memória dessa pessoa tão importante na história da minha vida e também da nossa cidade como professora, principalmente de piano, benfeitora dos mais necessitados e à frente do coral da Basílica de Nossa Senhora do Carmo por longo período. Tia Babá, sua serenidade, sua alegria e seu amor ao próximo deixam valioso legado para todos nós e sua doçura gravada eternamente em nossos corações.
Poeta e Escritor Léo Guimarães