Por muito tempo, quando se falava em segurança do trabalho, muitas pessoas pensavam apenas em acidentes, máquinas, quedas, produtos químicos, luvas, botas e capacetes. Tudo isso continua sendo muito importante. Mas a saúde do trabalhador também envolve a forma como o trabalho é organizado, cobrado e acompanhado.
A nova redação da NR-1, norma que trata do gerenciamento de riscos ocupacionais, passou a dar maior atenção aos chamados riscos psicossociais relacionados ao trabalho. Em outras palavras, são situações do ambiente ou da organização do trabalho que podem afetar a saúde mental, física e social do trabalhador.
Isso pode acontecer, por exemplo, quando há metas impossíveis, cobranças humilhantes, assédio moral ou sexual, jornadas excessivas, falta de pausas, sobrecarga constante, conflitos frequentes, ausência de apoio, comunicação agressiva, isolamento ou falta de clareza sobre as funções.
A principal ideia da NR-1 é a prevenção. Assim como a empresa deve olhar para riscos de acidentes, máquinas e produtos perigosos, também precisa observar se a forma de organizar o trabalho pode estar adoecendo as pessoas.
O trabalhador deve ficar atento a sinais como cansaço extremo, crises de choro, irritação constante, insônia, dor de cabeça frequente, palpitações, dificuldade de concentração, medo excessivo, isolamento, falta de vontade de ir ao trabalho e sensação permanente de incapacidade. Quando esses sinais aparecem e parecem estar ligados à rotina profissional, é hora de buscar ajuda.
O primeiro passo é cuidar da saúde. Procurar atendimento médico, psicológico ou a unidade de saúde mais próxima pode ser essencial. Também é importante registrar os fatos de forma responsável: anotar datas, horários, locais, o que aconteceu, quem presenciou e guardar mensagens, e-mails, escalas, atestados ou outros documentos.
Quando possível, o trabalhador pode procurar canais internos da empresa, como chefia, RH, CIPA, SESMT ou ouvidoria. Também pode buscar o sindicato da categoria, o Ministério do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho ou orientação jurídica, especialmente em situações de assédio, humilhação, adoecimento ou afastamento.
A principal mensagem é simples: cuidar da saúde mental também é cuidar da segurança no trabalho. Pressão abusiva, humilhação, sobrecarga e assédio não devem ser normalizados. A prevenção beneficia o trabalhador, a empresa e toda a comunidade. Quanto mais cedo o problema é identificado, maiores são as chances de evitar adoecimento, afastamentos e conflitos.
Mariana Godoy Rodrigues, advogada especialista em Direito Previdenciário.
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