Ana andava pela rua, em uma quente manhã de verão, quando passou por uma moça e seu labrador.
Não se conteve: parou, brincou com o cachorrinho, elogiou e continuou a caminhada.
Continuou andando até que o sol diminuiu a intensidade de seu brilho, as folhas das árvores começaram a cair e o calor foi substituído por um vento fresco, quase frio.
O verão virou outono e Ana continuou caminhando.
Parou em frente a uma vitrine que estava tão arrumada como se pronta para festa estivesse. Dentro da loja, moças muito bem vestidas, com seus cabelos cheirosos e olhos bem marcados, sorriam para aqueles que entravam e ofereciam, tão logo o cliente mostrasse interesse por alguma peça exposta na vitrine, água, café, cappuccino ou chocolate.
Ana entrou, admirou-se com as belas peças e o bom atendimento. Comprou um vestido de festa, despediu-se e continuou caminhando.
As folhas das árvores caíram, o sol preguiçoso se tornou e a chuva, com tanta lentidão ali presente, outro rumo rapidamente tomou.
Quando o inverno chegou com seu vento frio e seco, Ana continuou caminhando.
Caminhando e se admirando.
Encontrou um velhinho, sentado no banco da praça. Enrolando em cachecol e casaco, lia um livro, muito atento, como se em outro lugar estivesse.
Ana parou e sentou.
Esperou.
Ele levantou o olhar e viu tão bela moça ao seu lado. Começaram a conversar.
Conversaram por longo tempo.
Riram, contaram histórias, encantaram-se um com o outro. Tornaram-se amigos.
O tempo começou a mudar e quando se deram conta, ali, naquela praça até então seca e triste, os ipês haviam florescido. Os brancos, roxos e amarelos mostrando a quem quisesse ver que a seca tem os seus encantos.
E Ana se admirou.
Admirou-se e continuou caminhando.
As primeiras chuvas caíram, as flores começaram a surgir e o inverno virou primavera.
Como que por um passe de mágica, tudo que tinha possibilidade de florescer, floresceu!
Árvores, arbustos e matinhos do jardim. Tudo explodira em flor.
E Ana se admirou.
Até que lentamente o calor foi se intensificando e as chuvas fortes e rápidas, com a volta do sol bem disposto, tornaram-se uma constante.
O verão havia voltando.
E Ana, admirada como o tempo rápido passara, continuou caminhando.
Caminhando e se admirando.
Vívian Antunes