– Levantamento exclusivo feito pelo CFA Institute, responsável pelo maior programa global para a certificação de analistas de investimentos, a partir de seus mais de 136 mil membros, mostra como o número de mulheres é tímido no mercado de capitais.
O estudo evidencia que a participação de mulheres que possuem a certificação CFA é de 18% entre os analistas certificados no mundo. Comparado com outras profissões, a atuação feminina no mercado financeiro é bastante baixa. Na área jurídica, por exemplo, as mulheres representam 34%; na medicina são 48% e metade da força de trabalho do setor contábil.
Esse percentual entre os analistas só não é menor porque os resultados de alguns países puxam essa média para cima. China e Hong Kong são dois deles, com a participação de mulheres de 31% e 26%, respectivamente. Na opinião de Sonia Villalobos, presidente da CFA Society Brazil, a participação maior na Ásia se explica pelo lado cultural: “Principalmente na China, mercado de maior crescimento da certificação CFA, existe uma forte tradição de envolvimento das mulheres em finanças. A facilidade com idiomas também pode ser um fator, já que todos os exames do programa são em inglês”.
Essas estatísticas são uma boa mostra do mercado financeiro como um todo, uma vez que os analistas são profissionais relevantes dentro do setor. No Brasil, os números são ainda mais desanimadores. Aqui, as analistas representam apenas 11% do total. O número está abaixo até da participação em regiões como a África, onde as mulheres representam 17%. Dentro desse continente, no Egito, por exemplo, o percentual do público feminino de candidatos no CFA é de 29%, enquanto na África do Sul é de 16%.
Nos mercados de capitais mais desenvolvidos os percentuais são melhores que os da média global. Nos Estados Unidos e Canadá, por exemplo, o primeiro e o segundo lugares em tamanho do mercado de analistas, têm 16% e 20% de mulheres, respectivamente. Vários países europeus se encaixam nessa categoria. Na Itália e na Inglaterra, a participação feminina é de 20%; na Espanha e na França 21% e em Portugal 17%.
Infelizmente, os dados dos candidatos brasileiros do Programa CFA, isto é, dos participantes das três provas consecutivas que são parte do programa, também indicam uma tendência de queda na participação das mulheres ao longo dos anos. O percentual de candidatas CFA nos testes de junho caiu de 31%, em 2010, para 26% no ano passado, com queda em todos os anos desse intervalo. Já nas provas de dezembro, a queda foi de 35% em 2010 para 29% em 2015, com redução em todos os anos.
Para Sonia, essa trajetória de declínio é preocupante, já que acena para a possibilidade de um futuro com uma participação ainda menor das mulheres no mercado financeiro. “É preciso que as meninas sejam incentivadas a gostar de disciplinas como matemática, desde a infância. O fato de haver poucas professoras de matemática durante o ensino fundamental pode pesar na escolha das mulheres por profissões mais ligadas à área de humanas”, diz a executiva.
Número de candidatos para as provas CFA de junho
Ano Homem Mulher
2010 69% 31%
2011 70% 30%
2012 71% 29%
2013 72% 28%
2014 73% 27%
2015 74% 26%
Número de candidatos para as provas CFA de dezembro
Ano Homem Mulher
2010 65% 35%
2011 66% 34%
2012 67% 33%
2013 68% 32%
2014 70% 30%
2015 71% 29%
Tainá Ianone