No dia 04 de fevereiro de 2025, percorreu pela nossa querida Borda da Mata a triste notícia do falecimento da Professora Maria do Rosário de Oliveira, mais conhecida pelo nome carinhoso: “Zizinha”. Ela possui extenso “curriculum vitae”, especialmente pelos bons serviços prestados à sociedade bordamatense.
Natural de Pratápolis/MG, em 20/04/1937, filha de José Benjamim de Oliveira e de Maria José Megale de Oliveira, distinto e saudoso casal que residia à Rua Monsenhor Cintra, em Borda da Mata. O Sr. Benjamim foi notável farmacêutico, competente e atencioso, que por longos anos atendeu várias gerações de bordamatenses, trabalhando em sua farmácia, no prédio de sua residência.
Casou-se com Biase Paolielo Filho, de cuja união nasceram suas duas lindas filhas, Ana Cristina e Maria Cláudia, casada com José Carlos. Também teve a alegria de possuir quatro netos: Felipe Oliveira Fortes e Gabriel Oliveira Fortes, filhos de Ana Cristina e Rafael de Oliveira Melo (que também nos deixou) e Rafaela de Oliveira Melo. Infelizmente, seu esposo “Biasinho” já faleceu, o mesmo acontecendo precocemente com Ana Cristina.
Fez seus estudos no tradicional Colégio Nossa Senhora do Carmo de nossa cidade, formando-se no Curso de Magistério desta notável Escola dirigida pelas queridas Irmãs Dominicanas. Em Pratápolis, sua terra natal, chegou a lecionar por 03 (três) anos. De lá, veio para Borda da Mata, sua verdadeira cidade do coração, a que ela amou muito. A gente não tem como escolher a terra para nascer, mas para viver depende da nossa opção. Borda foi sua cidade por adoção. Sem dúvida, Zizinha aqui viveu mais de 80 anos (faleceu com 87), sempre amada e respeitada por todos nós.
Depois de exercer o magistério em Pratápolis, voltou para o nosso Município, passando a lecionar durante mais 03 (três) na Escola José Tomaz Cantuária Júnior, em Tocos do Moji, antigo Distrito de Borda, que se emancipou e tornou-se cidade. Depois de Tocos, prosseguiu na carreira do Magistério. Desta vez, designada para assumir o cargo no primeiro e tradicional “Grupo Escolar Comendador José Inácio”, hoje denominado “Escola Municipal Benedita Braga Cobra”. Ali permaneceu por 02 (dois) anos, após o que foi promovida como DIRETORA desta Casa de Ensino. Entrementes, ingressou na Faculdade ASMEC da vizinha Ouro Fino, graduando-se em PEDAGOGIA.
Dona Zizinha foi uma cristã católica fervorosa, dedicando-se às atividades pastorais da Paróquia de Nossa Senhora do Carmo, da Comunidade do Centro. Graças ao seu dinamismo, empenhou-se em tríplice labor: CATECISMO, GRUPO DE ORAÇÃO e MINSTÉRIO DA COMUNHÃO. Assim foi CATEQUISTA, MEMBRO DESTE GRUPO E MINISTRA DA EUCARISTIA.
Quando ainda vivo nosso imortal Pároco, Monsenhor Pedro Samuel Gonçalves Cintra, Zizinha foi auxiliar nas Missas Especiais na Capela do Santíssimo, celebradas por nosso santo Vigário da Paróquia, que dedicou sua vida aos múltiplos trabalhos do seu Paroquiato. Sendo vizinha de Monsenhor Pedro e solidária com suas preocupações familiares, especialmente com sua mãe, Dona Alvarina, e seu irmão, Lauro, de saudosas memórias, que tinham problemas de saúde, foi prestativa, auxiliando na Casa Paroquial, sempre que necessário fosse.
Devota de Nossa Senhora do Carmo, a amada Padroeira de Borda da Mata, rezava com sua Comunidade de Fé, em nossa majestosa Basílica do Carmo, o santo “TERÇO DE MARIA ONIPOTÊNCIA SUPLICANTE”, às 15 horas. Falando de Nossa Senhora, para completar o desejo de não se esquecer de São José, fiel esposo e pai adotivo de Jesus, nossa homenageada ainda auxiliou o então Pároco Padre Edson Oriolo dos Santos, hoje Bispo da Diocese de Leopoldina/MG, nomeado pelo Papa Francisco, no dia 30/10/2019, na criação da CORTE DE SÃO JOSÉ.
A característica marcante das pequenas comunidades do interior mineiro é a vida compartilhada. As pessoas se sentem unidas por laços fortes de amizade e solidariedade pelo fato do convívio social entre famílias, que se estimam e se respeitam, reciprocamente. Por ser uma pessoa especial, afável e disposta a SERVIR, Zizinha teve inúmeros amigos, alguns sempre ao seu lado, especialmente nos momentos difíceis que enfrentou na vida, quando perdeu seu esposo Biasinho e seu neto, Rafael, morto tragicamente em acidente de veículos na Rodovia MG 319.
A nossa vida é um maravilhoso dom de Deus, que nos ama e quer nos fazer felizes. Somos, como dizia o Padre Geraldinho, CIDADÃOS DO CÉU, a nossa Pátria celeste. Porém, enquanto aqui estamos caminhando e suspirando neste vale de lágrimas, como rezamos na “Salve Rainha”, temos que ter disposição para enfrentar os desafios, que a existência nos apresenta, com a certeza de que, no fim, a vitória será nossa.
Já com idade avançada, com uma extensa folha de serviços prestados, especialmente na missão sublime de Professora e Diretora, referidos, nossa amiga ficou adoentada e, infelizmente, nos deixou neste ano, no dia 04 de fevereiro. Sua morte consternou nossa cidade, que tanto amou e foi amada por seus parentes e amigos.
Sabemos que a morte não existe, porque o espírito é imortal. Se pudéssemos, nossos filhos e entes queridos jamais morreriam. Não podemos impedir, mas Deus pode! Como filhos de Deus, nosso Pai Todo Poderoso impede que a morte nos atinja. “AQUELE QUE CRÊ EM MIM, AINDA QUE MORRA, VIVERÁ”, como podemos encontrar no Evangelho de São João (11:25). Também porque o AMOR JAMAIS ACABA (1 Cor:13-8). Se morrendo, não ressuscitássemos, o Amor deixaria de existir, o que negaria o que Jesus revelou. Assim, após nossa trajetória terrena, a vida prossegue nas moradas da Casa do Pai, como afirmou Jesus. Lá, onde estaremos todos juntos, convivendo em paz e totalmente felizes.
É certo que não adianta imaginarmos como serão estas moradas. Limita-nos nossa condição humana. Assim, adverte-nos o apóstolo São Paulo: “olhos jamais viram, nem ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu” (1ª Cor: 2-9).
Esta é a nossa esperança!
Não se perturbem os nossos corações, pois há razões de sobra para nossa tristeza se converter em alegria. Não fosse a certeza da revelação do próprio Jesus, sentido algum existe, e foge à lógica da inteligência humana, tudo acabar com a morte.
Seria um autêntico absurdo!
No universo a regra é a evolução. A apoteose imprescindível, ao final da nossa vida terrena, com todas as lutas e por vezes sofrimentos, é descortinar-se a vida celeste que jamais termina. Paz e Felicidade sem fim! Esta é também a nossa certeza!
Aos familiares da saudosa e grande amiga, seus irmãos e irmãs, em especial o genro José Carlos e a filha Maria Cláudia, com os quais ela convivia em sua residência, o nosso abraço carinhoso, na convicção de que o Senhor Jesus – e somente Ele é capaz, dar-lhes-á o conforto espiritual necessário à superação de sua ausência.
Borda da Mata, 19 de junho de 2025.
Gustavo Dantas de Melo